Um despretensioso registo desta aventura nos antípodas…

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

COROMANDEL

Os 900 quilómetros contratados com a rent a car foram amplamente superados. Agora que registo esse facto, recordamos que não fazemos ideia quantos fizemos a mais. O limite já tinha sido ultrapassado enquanto “navegávamos” em Coromandel. Em boa hora.

Este cantinho paradisíaco foi, para nós, o must da ilha norte. Uma região desenhada em deliciosas curvas e contra-curvas em que o olhar está permanentemente a ser surpreendido por visões cada vez mais belas. Verdes... azuis... castanhos... a trajar de gala uma natureza tão impressionante quanto bela.

Apertados de tempo, acabámos por não usufruir, como desejávamos, de todo o esplendor da vasta Coromandel. Apenas algumas fotos e imagens para recordar o momento. Quantas vezes parámos em zonas proibidas e algumas vezes não tão seguras só para poder captar o momento, usufruir dele por breves instantes.

Depois de deambular por entre montanhas, as nossas expectativas mantiveram-se claramente em alta com uma costa de fantasia, tal como a estrada que acompanha o aconchegante mar durante quilómetros sucessivos.

Aqui respira-se natureza. Aqui, as pessoas sorriem como em poucos lugares.

Era sexta-feira e, a caminho de Auckland, cruzámos com sucessivos carros com o seu barco atrelado. Este lugar faz-nos sonhar. Coromandel transpira ilusão e qualidade de vida.

ROTORUA


Um ícone turístico suportado na cultura Maori. No entanto, mais uma vez, tirando os espectáculos diários com os nativos da Nova Zelândia, é complicado encontrar representantes deste nobre povo no seu quotidiano de rua.

Inevitavelmente, um lago serve de suporte a esta cidade, que vive de um turismo intensivo. Nas ruas geometricamente traçadas sucedem-se as lojas de souvenirs, pouco variando na oferta ao público. Acabámos por entrar na onda e gastámos alguns dólares.

Os edifícios são térreos e quase tirados a fotocópia. O Zé Luís já tinha uma “guedelha” descomunal de quase um centímetro, pelo que optou por reduzi-la a um milímetro.

Nas redondezas sobram actividades para distrair o povo. Os tais vulcões, rios termais, geisers...

Mais um jantar culminado com dois quilos de gelado de cookies (ainda estou para ver quem vai engordar mais) e um pequeno almoço que incluiu a segunda parte do triunfo do FC Porto em Viena frente ao Rapid. Maravilhas da internet...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Rumo a Auckland

285 ou 58 dólares. Essa era a escolha. Ambas para um carro classe C.

Quando a tentadora proposta me foi apresentada, sorri interiormente e fui chamar o Zé Luís. Rapidamente fechámos negócio.

“Não estão interessados em levar um carro em apenas dois dias para Auckland? Apenas pagam seguro, se assim desejarem. E quilómetros em excesso”, tinha-me dito a menina. Na NZ é normal os turistas alugarem um carro num ponto e deixa-lo noutro, pelo que as rent a car precisam de quem os leve de regresso.

Tínhamos precisamente dois dias e o aeroporto de Auckland era exactamente o nosso destino final. Não cheguei a esboçar ar de dúvida. Adiantámos logo serviço e ficou combinado levantarmos a viatura “surpresa” ao romper da aurora.

Na manhã seguinte já rumávamos a norte ao som de um moderno Toyota Corolla, com apenas 4.987 quilómetros. Estes neozelandeses são mesmo crédulos... :)

Em pouco tempo, constatámos o que já sabíamos: já tínhamos saudades da ilha sul. Por tudo. Aqui, a norte, há o triplo da população. Isso significa mais carros na estrada (onde param as autoestradas? SCUT??), casas a pintar a paisagem e.... PESSOAS!!

Três crateras de vulcões, quentes regatos termais (inexplorados pelo comércio) frequentados por meia dúzia de conhecedores, geisers e muito verde manteve-nos o sorriso e moral até Rotorua, a “capital” Maori.

Wellington de Honra


Quando enlouquecemos e decidimos ir a um museu – quando estamos apertados de tempo, outras prioridades se levantam – obviamente que optámos por ver o melhor. Te Papa é único na forma de contar a história da Nova Zelândia, um ex-líbris de Wellington, a capital do país (não, não é Auckland).

Para melhorar o cenário, no dia era inaugurada uma exposição de pintores europeus. Por isso, o museu convidou todos os amigos de Te Papa, entenda-se, os patrocinadores da instituição. E não eram assim tão poucos. Aqui, a cultura leva-se a sério. Valoriza-se.

“Não, hoje não podem ver o museu. Sempre que temos uma exposição nova, o dia é dedicado aos que nos ajudam. Mas sempre podem beber algo”, disseram-nos, amigavelmente.

Mesmo não estando trajados a rigor – bem pelo contrário, pois mal tínhamos dormido e estávamos com ar “pé descalço” - lá tivemos de dizer não a um bom champagne. Não fomos tão cerimoniosos na hora do suminho de laranja e de provar três tipos de chocolate, com um gostinho dos céus.

Continuando o passeio ao longo do porto, fomos desafiados por uma autoridade nacional a contribuir com uma mensagem criativa de defesa e preservação dos oceanos. Tínhamos muito giz e um passeio enorme para dar largas à nossa imaginação. Não foi preciso muito.

“WE LOVE FISH. SAVE THE OCEANS” foi a mensagem que deixei, acompanhada de um tosco barco chamado Portugal. Curiosa, a sorridente e afável organizadora do evento veio falar com o promissor artista. Surpresa com a nossa proveniência, recordou a “bela, mas efémera” passagem pelo nosso país.

Wellington é uma cidade que se vê bem em uma tarde. Hummm... talvez meia. Por isso não nos demorámos.

"Fapiau"


De todas as palavras do super extensivo e complexo mandarim, “fapiau” era certamente a que as nossas convidadas menos esperavam ouvir.

Tinha-se passado uma semana e Vicki sabia que tinha novo jantar à espera em Christchurch. Desta vez seria peixe. Trouxe uma amiga, Erika, também chinesa. Igualmente a tentar, sozinha, singrar num outro país (*).

O espanto pelo “fapiau” foi tal que repetiram a palavra diversas vezes durante a noite. Sempre com riso descontrolado. Na verdade, e se invertermos a situação, esperamos que os estrangeiros que apenas sabem três palavras de português consigam dizer olá, bom dia, obrigado.

Pois bem, dos dois gratificantes meses passados na China em 2008 lembrava-me de “Ni hao” (olá), “xie xie” (obrigado) e “fapiau”, que significa... factura.
O impacto da China no mundo global – aspectos positivos e negativos – foi o tema que dominou a conversa. É sempre interessante trocar pontos de vista, mesmo que o tema não seja do agrado de todos.

Sabendo que íamos madrugar no dia seguinte, levámos as donzelas a casa. Na manhã seguinte deixaríamos o Eden que nos encantou para voar até à desconhecida ilha norte.

(*) O objectivo dos asiáticos (e não só) na Nova Zelândia e Austrália é quase sempre conseguir a cidadania. Aí, tudo fica mais fácil para trazer para o país os familiares directos, com o ciclo a reproduzir-se sucessivas vezes. É assim que a Nova Zelândia e Austrália ficaram quase apinhados de asiáticos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E DE UM DEDO EM RISTE NASCE...


Quando olhei pelo retrovisor, ainda não me tinha apercebido bem do vulto que pedia boleia. Reparei que tinha chapéu e uma mochila. Parecia ter cabelo claro e longo. E sabia que no banco de trás o Zé Luís estava com pouco espaço livre. Muito pouco.

Ainda assim, o Carlos parou. Recuou uns 30 metros e deparámo-nos com uma jovem que precisava ir a uma cidade “a sério” para comprar mantimentos, tendo de percorrer uns 75 quilómetros para o fazer. Com uma grande mochila... vazia.

Atirei com Hungria e República Checa, mas ela era polaca. Mónica é de Poznan e couchsurfer. Em Agosto estive lá em trabalho e conheci vários CS's da sua bela cidade. Pouco depois, atirei com 27 anos, disse-nos que tinha apenas 23. Mas nem isso estragou o ambiente. Chamou-me judeu um par de vezes. Já nem me lembro das afinidades que apontou, mas nenhuma tinha a ver com dinheiro.

Mónica viveu quatro meses na Austrália, até ser deportada. Insistiu na jornada no outro lado do planeta e anda há uns meses a viajar tranquilamente pela Nova Zelândia, antes de apostar, mais tarde, em “mais quatro ou cinco meses na Ásia”.

Logo ali, sei que devíamos te-la estrangulado. Mas esta terra amansa-nos, torna-nos sensíveis às belezas da natureza e não conseguimos fazê-lo.

A meia hora em que lhe pudemos ser útil continuou com uma pausa para “trincar” algo, trocar contactos e deixa-la no melhor ponto possível para poder seguir viagem.

Bonito o gesto de nos abraçar na despedida, como se já bons amigos fossemos. Ficou a promessa de nos visitar em 2011.



INTERNET SAFARI


Havia já longo tempo que não actualizávamos o blogue e ainda não tínhamos reservado as duas ultimas viagens na Austrália (aliás, ainda não o fizemos), pelo que tínhamos, imperiosamente, de ir à internet. O problema é que a recepção da pousada já tinha fechado, pelo que só podíamos comprar crédito na manhã seguinte. Com tantas horas livres, era um verdadeiro crime desperdiçar a noite.

Face a esta inesperada contrariedade, havia que desafiar as capacidades do Zé Luís. Primeiro, tentámos pedir “emprestada” internet do hostel em frente, mas não foi possível. Estava bem protegida.

Então, metemo-nos no carro e fomos conduzindo, mais lentos que tartaruga reumática, à procura de um spot em que a rede fosse boa e pudéssemos dispor desse importante instrumento de trabalho.

Tão concentrados que estávamos que nem nos apercebemos que invertemos a marcha na estrada nacional pisando dupla linha continua precisamente à porta da esquadra da polícia. Sem stress...

Pois é, a nossa demanda correu mal. Muito mal. Várias vezes íamos festejando o concretizar de uma ilusão, mas estes meninos neozelandeses são bons a manter as benesses dentro de sua casa e assim ficámos a ver navios.

Pensámos vingar-nos na sauna, nem tudo estava perdido, mas esta tinha fechado às 22:00. Há noites assim...