Um despretensioso registo desta aventura nos antípodas…

domingo, 14 de novembro de 2010

Carabinieri




Com as fotos dos antigos passaportes, ainda vá. Não parecemos cidadãos propriamente exemplares. Agora com os novos e os três (hoje) exemplarmente barbeados é que não!

Cidadão modelo, fui deitar uma garrafa ao lixo reciclado. De volta para a fila do check-in, sou abordado por um caribinieri.
A que horas é o meu voo, para onde vou, onde está o meu passaporte e bilhete. Tantas perguntas, que o convidei a vir comigo, em busca de tais dados. Sério, disse que me esperava, mas a verdade é que 10 segundos depois já estava junto de nós. Carlos e Zé Luís, perplexos, não entendiam porque lhes pedia igualmente os documentos.

Bastava olhar em redor para “entender” as precauções das autoridades italianas. Ethiad, Qatar, Emirates, Turkish... eram as companhias aéreas da zona onde estávamos. O Médio Oriente o destino de todas elas.

De qualquer forma, em menos de dois minutos tínhamos de volta os documentos. Sem um desejo de boa viagem.
Este voo foi tranquilo. Estamos em Doha, Qatar.

“Heartbreaker”




É no ar que repousam os sonhos. Os nossos estão exactamente a 11.303 pés de altitude, onde tudo parece mais claro. Com ou sem Syrah.

Sem sobressaltos, no voo da Qatar, vão-nos indicando, à hora das várias orações, para que lado fica Meca. À medida que avançamos, ficamos a saber o exacto ângulo e a distância precisa para o lugar que cada devoto do Islão deve visitar, ao menos uma vez na vida.

Sentados em velocidade cruzeiro, bem perto do anunciado paraíso, divagamos. Questionamo-nos sobre quantos, mergulhados nas amarras da rotina, nos esquecemos de sonhar? Verdadeiramente.
Não falamos dos sonhos vãos – aqueles destinados ao insucesso da cómoda desistência antecipada, sem verdadeira luta para serem realizados – mas daqueles que nos fazem sentir plenos.

Sim, é na busca de momentos de plenitude que gastamos as nossas energias, empenhamos os nossos créditos.

A conversa rolou e desafiamo-nos a lembrar o último momento de genuína magia que nos invadiu a alma? Ou a mais recente gargalhada pura ou a derradeira lágrima. Estendemos esta conversa aos que no nosso quotidiano nos rodeiam e inquirimos sobre a necessidade de cada um cometer uma loucura (saudável) para sentir liberdade no peito. Temos feito outros felizes? Somos capazes de nos rir de nós próprios? Quebramos a rotina e conversamos com estranhos? Que “prendas” nos temos oferecido?
Temos experienciado a dor? Ou preferimos viver em dormente anestesia. O que nos trava para dar o “salto”?

Enfim, aqui, acima das nuvens, tudo parece mais fácil, claro.
Juntos, carregamos 106 anos de ilusões. E muita humildade para saber que quanto mais andámos, mais nos falta caminhar.

Não procuramos grandes momentos, fotos ou momentos de arromba, mas simplesmente aqueles delicados pormenores que perduram, intemporalmente. Sem necessidade de serem catalogados, eternizados em qualquer parte inteligente do ser.

Não fugimos e nada perseguimos. Apenas corremos, animados, para um lugar cada vez mais intimo e quente em cada um de nós. Uma viagem sem stress. Braços abertos para o improviso, companheiros e cúmplices entre nós e de tudo aquilo que o mundo tem para nos dar.

Estamos no céu e aqui queremos continuar. Com ilusão e sorriso sereno para a magia.

PS: Obrigado, “Heartbreaker”

sábado, 13 de novembro de 2010

Arsano Seprio







Quando Mónica nos conduziu por vias estreitas, entremeadas por paisagens indecisas entre outono e inverno antecipado, foi impossível ficar indiferente à história viva que ia desfilando ao nosso olhar.

A nossa atenção era repartida. E não deixamos de notar o que será o profissionalismo da jovem “chauffeur”, sem sorrisos nem muitas conversas. Algumas palavras entre nós em educado português sobre os seus vistosos olhos e delicadas mãos, mas a jovem continuava noutro mundo. Apenas na despedida lhe vimos os 'caninos' e um simpático aceno.

O Only Lyon trouxe-nos até Milão. Esta grande jornada iniciou com uma minúscula etapa, pois apenas domingo (amanhã) seguiremos caminho, ao raiar do dia.
Em Itália, optámos por um local perto de Malpensa. A “noite” da várias vezes vista Milão pode ser perigosa, tirar-nos o sono. Melhor não arriscar.
Garantiram-nos que a Villa Giglio ficava a modestos 7,2 km do aeroporto, mas aqui devem medir as distâncias de outra forma. Escolhemos um apartamento rural para três. Uma sala confortável. Um olímpico WC.

Arsano Seprio é uma pequena aldeia no meio de quase nada, apenas um lugar de passagem. Aqui ninguém pára. O céu manteve-se encoberto. O outono/inverno traja a paisagem, mas os habitantes locais transpiram primavera. Pouca gente nas ruas, mas muito afável.
Não deve vir em muitos mapas, mas, ainda assim, em Arsano Seprio esbarramos facilmente com vários cativantes monumentos com história. Muita. E bem conservada.

Only Lyon




“Zé, não vais poder passar com uma mochila grande, uma outra para o computador e ainda uma terceira para documentos e máquina fotográfica. Só podes passar com um volume”.
Não foi por falta de aviso. Quando chegámos para fazer o “check-in”, o Zé Luís, com ar cândido e meloso, perguntou à bela donzela se havia algum tipo de problema em entrar no avião munido dos três apêndices.
“Tem de meter tudo num único volume. Agora faça como entender”, resumiu a hospedeira de terra, com um daqueles sorrisos que acaba de imediato com a conversa. Decididamente, não é das que vai em cantigas.
Uma mala lá teve de voltar para trás e tivemos de redistribuir a carga excessiva do senhor que gentilmente trouxe este portátil onde vos escrevemos – é por isso que não podemos abusar do que falamos dele.

Já na altura do “check in”, outros, em versão mais arrojada, apresentaram-se com grandes malas para embarcar. Azar. Formaram uma fila separada e receberam um belo ticket para pagar.

Quinze minutos após o previsto, o Only Lyon da Easyjet rasgava os céus da Invicta. O início do primeiro de 11 voos – continuamos convictos que seremos forçados a 14 – que nos colocará na Austrália apenas na madrugada de terça-feira (16 Novembro).

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Bela & Perigosa...



Dizem os entendidos (locais e viajantes) que não há terra no mundo de igual beleza. Aos menos crentes, atiram com os múltiplos locais no seu vasto território que integram a elite do património mundial natural da UNESCO.

Na longa costa ou no “outback”, proliferam lugares mágicos (grande barreira de coral ou o “Uluru”), mas também é verdade que o perigo espreita em cada canto.

Miss Austrália alberga apenas as 10 cobras mais venenosas do mundo, múltiplas aranhas capazes de nos arrumar sete palminhos abaixo da terra, uma habilidade comum a muitos outros queridos bichinhos de outras espécies. Entre muitos outros, cito a simpática vespa do mar, o apetitoso polvo de anéis azuis, e entediante carraça paralisante ou o “invisível” peixe rocha.

Claro está, não vou dar tempo de antena os tubarões ou crocodilos.

Dizem que até as conchas perseguem os humanos…

É o sexto maior pais do mundo, mas dos menos habitados. Macau tinha há uns anos a maior densidade populacional com 26.500 habitantes por km2. Portugal regista apenas115 e a maior ilha do mundo tem uns palpitantes… 2,6 (dados de 2006). Ainda por cima mais de 80% da população concentrada em algumas zonas urbanas na costa. Nas zonas rurais, encontrar quatro pessoas juntas é porque se trata de uma família… ou uma conspiração.

Neste momento serão 22 milhões os habitantes no único país que começou por ser uma prisão. Daqui a dois dias, cerca de 22.000.003!!

A contagem continua a decrescer. Menos de 48 horas para a partida 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"FIVE"


“Uma imagem vale mais do que 1000 palavras”

Os céticos olham para esta foto e apenas vêm uma inexplicável e imprópria sobreposição de imagens. Os eufóricos vêm certamente o “cinco” com que o FC Porto humilhou o Benfica.
Sem radicalismos, situo-me algures no meio.
HOJE, dá-se a feliz curiosidade de faltarem apenas cinco dias para a partida. Ainda faltam demasiadas coisas para tratar… mas sorrio.